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Arthur Alves, Ester Freitas e Marco Martins em frente
ao TRT logo após audiência. Foto: Arthur
Alves Junior |
Sem possibilidade de acordo! Com essa frase, a CBF, através de seu
advogado, deixou bem claro que não pretende repassar qualquer valor
recebido com os patrocínios nas camisas dos árbitros. Como já
publicado por este site, desde 2012 entrou nos cofres algo em tono
de 12 milhões de reais que foram usados pela entidade sem qualquer
prestação de contas aos representantes dos homens de preto.
A afirmação ocorreu na audiência de conciliação realizada na manhã
desta quarta-feira (11) na 49ª Vara do Tribunal Regional do Trabalho
do Rio de Janeiro (TRT-RJ). Além da magistrada (Raquel de Oliveira
Maciel) e do representante do MPT (Marco Antônio Sevidanes da
Matta), participaram da audiência o presidente da Associação
Nacional dos Árbitros de Futebol (ANAF), Marco Antônio Martins,
Arthur Alves Junior, presidente do Sindicato dos Árbitros de Futebol
do Estado de São Paulo (Safesp) e vice-presidente regional da ANAF e
Marçal Rodrigues Mendes, ex-assistente CBF e atual presidente do
Sindicato dos Trabalhadores da Arbitragem Esportiva (Sintrace) autor
da proposta de ação ao MPT.
Na parte jurídica Ester Silva de Freitas atuou em defesa dos
árbitros e Roberto Florêncio Soares da Cunha defendeu os interesses
da CBF.
Durante a audiência, a CBF pediu que a ANAF justifique sua entrada
na ação como terceira interessada, não só pedir por pedir como foi
feito, mas que fundamente suas razões. A CBF também questionou a
pretensão do Sintrace fazer parte da ação alegando que já tinha a
Associação Nacional como representante dos árbitros. Após ser
esclarecido que, apesar de também representar os árbitros, não tem
qualquer ligação com a ANAF, a magistrada concedeu dez dias de prazo
para que o Sintrace também fundamente seu requerimento.
Por fim a CBF pediu sigilo na ação por entender que vários
documentos e contratos que fazem parte da ação não devem ser
divulgados. Como operacionalmente não é possível proteger só os
documentos e como não houve contestações, o pedido foi aceito
pela juíza e a ação agora corre sob segredo de justiça.
Após estas rápidas decisões, a audiência foi encerada e a categoria
espera agora por uma decisão da justiça que deve ocorrer nos
próximos dias.
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Ação questiona poderes da CBF para celebrar contratos de
patrocínios nas camisas dos árbitros |
O
Apitonacional procurou os
dirigentes que estiveram na audiência. Veja abaixo o que eles
disseram.
“Saí ontem de
São Paulo para ir à audiência. Compramos a passagens em três
pagamentos pela crise que passamos, não houve acordo ou qualquer
decisão, mas é importante a participação para que não fique
parecendo que a categoria não tem representatividade” – disse
Arthur Alves Junior.
“O Sintrace-RJ
como interessado não é parte, pois o Ministério Publico do Trabalho
é o legítimo proponente da ação. Contudo vamos procurar ter um
estreito relacionamento com o MPT nessa ação comunicando que a lei
Pelé art. 4 inciso II, precisa ser valorada, sob pena de tornar a
uma lei morta, ou seja, sem eficácia” – disse Marçal Mendes,
presidente do Sintrace.
Procuramos também
Ester Freitas e Marco Martins, respectivamente advogada e presidente
da ANAF, mas ambos não responderam até o fechamento desta matéria.
Martins estava em transito retornando ao seu estado e Ester não foi
localizada.