26/03/2014    17:13hs

Justiça carioca absolve coronel da PM acusado de comandar esquema de corrupção

Preso em 2011, o ex-árbitro e Coronel da PM Carioca Djalma Beltrami era acusado de chefiar esquema de corrupção quando estava à frente do 7º BPM (São Gonçalo)

Sua vida é feita de batalhas, já enfrentou e saiu ganhador em diversas delas, algumas dentro dos campos de futebol espalhados pelo país onde usava com freqüência o apito e um par de cartões, um amarelo e um vermelho. Uma dessas batalhas vestido de preto foi especial, além de lhe dar projeção nacional ficou mundialmente conhecida como “Batalha dos Aflitos”. 

 

Mas se em todas saiu vencedor, numa delas sentiu o duro golpe e quase saiu derrotado de vez quando foi preso no final de 2011 acusado receber propina do trafico, crime que ele justamente mais combatia.

 

Passado case três anos da data fatídica, no ultimo dia 11 ressurgiu das cinzas feito uma fênix

com a absolvição na justiça, mas sabe que carregará para o resto da sua vida as marcas profunda que nem mesmo o tempo será capaz de cicatrizar. A acusação veio de onde ele menos esperava, veio praticamente de dentro de casa (segurança publica), casa que ele sempre defendeu tendo colocado inclusive por diversas vezes sua vida em risco. Mas sobre isso não reclama, pois pelas suas declarações é um soldado sob as ordens do seu comando e a serviço da população.

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Estamos falando do ex-árbitro FIFA e Tenente Coronel da Policia Militar do Rio de Janeiro, Djalma José Beltrami Teixeira. Apesar de ter feito carreira na arbitragem e na área militar carioca, Djalma Beltrami como é conhecido, é paulistano da gema, pois nasceu em São Paulo no dia 15/05/1966 (47 anos).

Se na área militar alcançou alta graduação e posto de comando, no apito não foi diferente, foi árbitro FIFA de 2006 a 2008, fez bons jogos, protagonizou algumas arbitragens polêmicas ao longo da carreira e esteve envolvido em um verdadeiro imbróglio policial que se arrastava desde 2011.

Coronel Beltrami foi detido por duas vezes há cerca de três anos atrás, uma no final de 2011 e a outra no inicio de 2012 por policiais civis (Leia). A primeira prisão ocorreu no dia 19 de dezembro de 2011, quando chegava ao batalhão que chefiava por suspeita de receber propina de traficantes da cidade para não patrulhar em determinadas favelas na Operação Dezembro Negro, que na ocasião cumpria 26 mandados de prisão contra policiais acusados de receber propinas do tráfico de drogas.

 Prisão ocorreu quando ele chegava ao batalhão que comandava

A prisão dele juntamente com mais 12 PMS foi realizada por policiais da Core (Coordenadoria de Recursos Especiais), tropa de elite da Polícia Civil. Na epoca, o delegado Alan Luxardo, da Delegacia de Homicídios de Niterói, apresentou publicamente, como provas, apenas interceptações telefônicas em que é citado por um PM e um traficante o “01” – na interpretação da Polícia Civil, o “01” seria Beltrami, então comandante da unidade.

Escutas telefônicas

Ao longo da investigação, escutas telefônicas autorizadas pela Justiça, captaram conversas entre policiais do 7º BPM e criminosos do Morro da Coruja, no bairro Vila Lage. As escutas revelaram que os PMs negociavam propinas com traficantes para não coibir o tráfico de drogas. Para a acusação, diálogos faziam referência a Beltrami. Sargentos, cabos e soldados, que integravam o Grupo de Ações Táticas (GAT), combinavam com o denunciado Maico dos Santos "Gaguinho" o pagamento de propina semanal no valor de R$ 20 mil, dos quais R$ 10 mil eram, de acordo com a denúncia, repassados ao então comandante da unidade, Djalma Beltrami.

Solto na madrugada da quarta feira do dia 21 de dezembro de 2011 através de hábeas Corpus concedido pelo desembargador Paulo Rangel, do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, Beltrami voltou a ser preso no dia 12 de janeiro de 2012, desta vez em casa e foi levado para a 64ª DP (Vilar dos Teles) pela Corregedoria Geral Unificada.

As investigações que levaram Beltrami de volta à prisão foram conduzidas pela Delegacia de Homicídios de Niterói com o apoio do Gaeco. Elas identificaram um esquema de distribuição de drogas na Região dos Lagos do Rio que tem origem no Complexo da Maré, no Rio, passando por entrepostos nos municípios de São Gonçalo e de Niterói. De acordo com a denúncia, os homicídios relacionados ao tráfico em São Pedro da Aldeia se intensificaram após a tomada do Complexo do Alemão pelo Estado.

Coronel Beltrami voltou a ser solto na madrugada do sábado, dia 14 de janeiro de 2012 por ordem do desembargador Antonio Carlos dos Santos Bitencourt, que concedeu hábeas corpus ao militar. Na decisão, Bitencourt afirmou que as referências que comprometeriam Beltrami "continuavam no perigoso terreno das suspeitas".

Absolvição

Após as prisões e os hábeas corpus, o Ministério Público ofereceu denúncia, o processo seguiu seu tramites nas esferas da justiça e Beltrami foi a julgamento quase três anos após a primeira prisão. No julgamento ocorrido no ultimo dia 11 de março, a Justiça do Rio de Janeiro absolveu Beltrami da acusação de receber propina de bandidos do Morro da Coruja, em São Gonçalo-RJ. Para o juiz do caso, não foram colhidas provas suficientes para condenar o coronel.

Na decisão, o juiz Márcio da Costa Dantas, titular da 2ª Vara de São Pedro da Aldeia, na Região dos Lagos, disse que o depoimento do coronel Erir Ribeiro, ex-comandante geral da PM, sobre Beltrami foi fundamental para a absolvição do oficial. Erir destacou que "os órgãos de inteligência nunca captaram qualquer notícia de envolvimento de Beltrami com a criminalidade".

“Até antes da prova de defesa e do interrogatório do coronel Djalma Beltrami, estava este julgador convencido da existência de fortes indícios acerca da culpabilidade do mesmo, no entanto, devo admitir que agora, em muitos pontos da imputação, a dúvida me tomou de assalto”, afirmou o magistrado em sua decisão.

Na mesma sentença, foram condenados outros quatro acusados - Fábio Guilherme Macedo, Everton Barreto Guimarães, Leonardo da Costa e Felipe dos Santos - por tráfico e associação para o tráfico. Em junho do ano passado, o juiz Marcio da Costa Dantas já havia condenado, no mesmo processo, 11 PMs e outras treze pessoas ligadas ao tráfico. Beltrami foi o único absolvido na ação.

Beltrami ficou muito abatido após saber que seria preso

Ainda de acordo com a sentença, testemunhas de defesa do tenente-coronel, entre elas o ex-comandante geral da PM, Erir Ribeiro, disseram, em depoimento, que o oficial sempre foi severo com seus comandados, nunca tendo notícias sobre a desonestidade do mesmo.

“Todas as testemunhas de defesa demonstraram um perfil pessoal do acusado Djalma totalmente diferente daquele exteriorizado pela prova dos autos, não sendo razoável que os órgãos de inteligência, o Ministério Público e a Magistratura não tenham captado alguma menção sobre o envolvimento de um coronel da PM com atividades ilícitas nos anos anteriores a 2011”, afirmou o juiz.

“O ordenamento jurídico positivo e minha consciência me levam a reconhecer a incidência do primado ‘in dubio pro reo’ (que, em latim, significa ‘na dúvida a favor do réu), para absolver o acusado Djalma José Beltrami de todas as imputações que lhe foram formuladas”, acrescentou o juiz Márcio da Costa.

Ainda de acordo com a sentença, não há proporcionalidade nos valores dos depósitos em dinheiro feito nas contas de Beltrami em 2011 com a acusação de que ele recebia 30 ou 40 mil reais de propina por mês quando estava no comando do batalhão.

O Ministério Público informou que ainda não recebeu os autos do processo para analisar se recorre ou não da sentença. Já o delegado Alan Luxardo, responsável pelas investigações que levaram Beltrami à cadeia, não comentou a decisão da Justiça.

O golpe

O coronel ainda não conseguiu se esquecer do tempo que passou na cadeia junto com outros 12 PMs. Em entrevista à Rede Globo, Beltrami afirmou que, três anos após ser acusado do crime, ainda não conseguiu esquecer aquele momento:

“Sempre tive a missão de ajudar as pessoas. Só que naquele momento eu não conseguia sequer me ajudar”, frisou o ex-árbitro.

No comando

Coronel Djalma Beltrami assumiu o comando do 7º BPM (São Gonçalo) após a saída do tenente-coronel Cláudio Oliveira, acusado de ser o mandante do assassinato da juíza Patrícia Acioli, morta com 21 tiros quando chegava em casa no dia 11 de agosto daquele ano. O oficial estava no cargo há 4 meses e, anteriormente, estava no batalhão de Bangu (14°BPM) -  época em que se destacou  no comando da unidade quando o atirador Wellington Menezes de Oliveira matou a tiros 12 crianças da escola Municipal Tasso da Silveira. Beltrami também comandou o 18º BPM (Jacarepaguá) e o 14º BPM (Bangu).

Apito

Djalma Beltrami teve uma carreira de mais de duas décadas na arbitragem, ele estreou no apito pela Federação de futebol do Rio de Janeiro em 1989. Fez parte do quadro de árbitros da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) de 1995 a 2011 e esteve no quadro da FIFA entre os anos de 2006 e 2008. Apitou a primeira partida da final do Carioca de 2005, entre Fluminense   e Madureira, e foi eleito árbitro revelação do Brasileiro em 2005 e melhor árbitro do Campeonato Carioca em 2005 e 2006, em pesquisa feita pelo Jornal dos Sports.

Por dois anos ostentou o escudo da FIFA

Apitou mais de 600 jogos na carreira nas diversas divisões do futebol carioca e brasileiro e alguns deles com muita, mas muita polêmica!

Relembre as polêmicas:

Batalha dos Aflitos

Em 2005, Djalma Beltrami foi, por assim dizer, o mentor da "Batalha dos Aflitos". É dessa maneira que a torcida do Grêmio se refere ao jogo contra o Náutico, no estádio dos Aflitos, pela última rodada da Série B do Brasileirão daquele ano.

Cercado pelos jogadores do Grêmio durante a "Batalha dos Aflitos"

O Grêmio precisava da vitória para confirmar o título da competição. Mas não podia mesmo era perder, sob risco de não conseguir subir para a Série A. Beltrami marcou dois pênaltis para o Náutico, fato que tirou os gremistas do sério. Quatro jogadores do time gaúcho foram expulsos, mas o Náutico perdeu as duas penalidades e ainda viu o garoto Anderson (depois vendido ao Manchester United) fazer o gol da vitória e confirmar o título e a volta dos gaúchos para a Primeira divisão do futebol brasileiro.

Expulsão de Dodô

Na final do Campeonato Carioca de 2007, entre Botafogo e Flamengo, foi acusado de prejudicar o time alvinegro ao anular, por impedimento, gol legítimo do atacante Dodô, que ainda foi expulso de campo por ter ignorado o apito e concluído o lance. A decisão foi para os pênaltis, e o Flamengo ficou com a taça.

Corinthians rebaixado

Também em 2007, mas agora na última rodada do Brasileirão, Djalma Beltrami voltou a entrar no olho do furacão. Com a corda no pescoço, o Corinthians jogava contra o Grêmio, no Sul, e também torcia para o Goiás não vencer o Internacional, em Goiânia.

Durante o jogo no Serra Dourada, Beltrami marcou pênalti para o Goiás. O meia Paulo Baier perdeu duas vezes, mas o juiz mandou voltar ambas, apontando que o goleiro Clemer se adiantara nos lances. Na terceira cobrança, agora sob os cuidados de Elson, o Goiás converteu e comemorou vitória por 2 a 1. Com um empate por 1 a 1 com o Grêmio, o Corinthians foi rebaixado.

Jogo com dois finais

Pela sexta rodada do Brasileirão de 2009, Djalma Beltrami conduzia o jogo entre Santos e Atlético-MG, na Vila Belmiro. Na reta final do jogo, sinalizou que daria quatro minutos de acréscimo, mas encerrou o jogo aos 48. Os jogadores do Santos reclamaram bastante, já que o time perdia por 3 a 2 para os mineiros. Beltrami então deu novo início à partida, e se complicou. Os santistas marcaram o gol de empate, aparentemente legal, aos 50 minutos, mas o árbitro anulou.

Grave acusação

Desligado dos quadros da Fifa no final de 2008, Djalma Beltrami se revoltou contra seu superior, Sérgio Corrêa da Silva, presidente da Conaf (Comissão Nacional de Arbitragem). Em janeiro de 2009, foram divulgadas denúncias do árbitro contra Corrêa.

 

De acordo com Beltrami, o presidente da Conaf chegou a lhe oferecer vantagens financeiras e arbitragens em bons jogos do Brasileirão em troca de ceder lugar no quadro da Fifa. À época, Corrêa afirmou que ofereceu a Djalma Beltrami e outros árbitros que perderiam o escudo da Fifa a mesma remuneração de árbitros internacionais, superior à de árbitros que apitam apenas jogos da CBF.

Pendurou o apito

O apito final da partida que deu ao Madureira o título do Troféu Carlos Alberto Torres de 2011 foi o último da carreira do árbitro Djalma Beltrami. A partida que foi preliminar da decisão da Taça Rio, foi disputada no Estádio Olímpico João Havelange (Engenhão) no dia 01/05/2011.

Recebendo homenagens da FERJ após encerrar a carreira

Após o jogo, a Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro lhe entregou uma placa em homenagem pelos 22 anos como árbitro da instituição.

A partida

Boavista 1 x 3 Madureira – Taça Carlos Alberto Torres, final – 01/05/2011

Estádio Olímpico João Havelange (Rio de Janeiro-RJ)

Árbitro: Djalma José Beltrami

Assistentes: Silbert Faria Sisquim e Francisco Pereira de Souza

Boavista: Thiago, Everton Silva, Santiago, Bruno Costa e Paulo Rodrigues; Julio César, Tony, Erick Flores e Edu Pina (Douglas); Frontini e Max (Leandrinho). Técnico: Alfredo Sampaio

Madureira: Cléber; Valdir, Luiz Otávio, Douglas Assis e Nill; Vinícius, Abedi (Caio César), Rodrigo e Michel; Baiano e Maciel. Técnico: Roy

Cartões amarelos: Thiago (Boavista); Nill (Madureira)

Gols: Rodrigo 8’/1º T (1-0); Rodrigo 39’/1º T (2-0); Frontini 8’/2º T (2-1); Adriano Magrão 11’/2º T (3-1)

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