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Mudança de hábito

Com o fim da carreira, ex-árbitros descobriram que é possível juntar forças com treinadores e jogadores

 

31/03/2010 - A conversa mudou de tom. Se dentro de campo era necessário levantar a voz para se fazer respeitado, agora a postura é outra. Com o fim da carreira, ex-árbitros descobriram que é possível juntar forças com treinadores e jogadores, antigos desafetos, na conquista de um mesmo objetivo e melhorar a parte disciplinar das equipes. Mas também se depararam com um cenário que não chega a ser estranho. As mesmas suspeitas que costumavam acompanhá-los nos gramados persistem na nova função.

Na briga pelo título da Copa do Brasil, Atlético Mineiro, Sport, Goiás e Brasiliense recorreram a ex-árbitros na montagem de suas comissões técnicas e agora lidam com a desconfiança que ronda a escolha de seus profissionais. Apresentado como um dos membros da equipe de Vanderlei Luxemburgo no Galo, Wagner Tardelli, que se aposentou no fim da última temporada, tem enfrentado críticas pelo seu retrospecto em partidas envolvendo o atual comandante alvinegro.

Nos últimos três anos, Luxemburgo não perdeu nenhum jogo apitado por Tardelli. Ao todo, foram oito partidas, com sete vitórias e um empate. Perguntado pela ESPN sobre os números, o instrutor de arbitragem do clube mineiro preferiu não comentar o assunto e desligou o telefone. “Não vou falar mais com você.” O ex-juiz, que diz se dedicar a esse projeto há três anos, chegou a ter a sua relação com o treinador contestada no passado pelo presidente do Cruzeiro, Zezé Perrella.

O ex-árbitro de Brasília Sérgio da Silva Carvalho é Auxiliar técnico do Brasiliense

Segundo Tardelli, ele tinha outras opções para o futuro. “Se eu quisesse, poderia ter continuado em campo pela federação catarinense”, disse. “Também tive propostas para me tornar observador da CBF e até comentarista, mas a oferta feita pelo Atlético foi mais interessante”, completou.

Ao contrário de Wagner Tardelli, Luis Antonio Bites não planejava seguir no futebol após se despedir dos gramados. “Nem pensava nisso. Ainda mais com o Goiás, com quem tive um imbróglio judicial recente”, admite o ex-juiz, que, até o ano passado, movia um processo contra o técnico Hélio dos Anjos. Antes da audiência conciliatória, Bites revelou que o conflito com o o treinador vinha desde 1999, quando o expulsou na final do estadual entre Goiás e Vila Nova. De qualquer modo, Hélio foi demitido no final de janeiro.

O convite para fazer um trabalho preventivo que englobasse as categorias de base e o profissional foi realizado pelo diretor Marcos Figueiredo. “O Goiás sofreu muito com indisciplina na última temporada e deseja evitar que isso se repita mais uma vez”, afirma Bites.

Essa também é a intenção do Sport, equipe que recebeu mais cartões amarelos e a segunda em vermelhos no Brasileiro. Rebaixado, o clube se inspira numa receita utilizada pelo Santa Cruz para dar a volta por cima. Os dirigentes rubro-negros contrataram o ex-presidente da comissão de arbitragem pernambucana, Valdomiro Matias, responsável por fazer do rival o time mais disciplinado no título do estadual de 2005 e na Série B no mesmo ano. “Tenho autorização, inclusive, para conversar com os jogadores no intervalo das partidas”, revela Matias, que deixou os campos em 2004 e, em sua experiência anterior, foi acusado de influenciar nos resultados dos jogos. “Não teve nada disso. Eu fui um precursor na área e é natural que, no início, exista um pouco de desconfiança em torno de nossa atuação”, desconversa.

Sérgio da Silva Carvalho é outro que precisa superar o ceticismo que cerca o seu nome no Brasiliense. Nem mesmo o fato de ocupar um cargo diferente de seus ex-colegas reduz as críticas dos adversários. “Eles precisam se preocupar mais com suas equipes. Existe um ciclo no futebol local e, agora, como estamos ganhando, viramos o alvo. Esses comentários não me atingem”, afirma o ex-árbitro, que desempenha a função de auxiliar técnico no Jacaré.

Manter distância da arbitragem ao encerrar a carreira já estava nos planos de Sérgio Carvalho. “Sou dono de uma escolinha desde 2003”, revela. A participação do ex-juiz na Associação Sport Club Corinthians Brasília (Ascobra), franquia candanga do alvinegro paulista que disputa os estaduais infantil e juvenil, se mostra controversa. O Capital, de Guará, já ameaçou não entrar em campo em partida comandada por ele e o acusou de disputar jogadores com o clube, enquanto o Goiás lançou suspeita sobre um possível conflito de interesses de sua parte. Carvalho, no entanto, nega a parceria com o Timão. “Não temos nenhum vínculo”, diz.

Fonte: Marcus Alves, da revista ESPN - http://espnbrasil.terra.com.br - Foto apitonacional

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