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 04/09/2019    05:33hs

Ex-Boca Juniors diz que árbitro colombiano favorecia time argentino

Cristian Traverso chegou a dizer que colombiano Oscar Ruiz, árbitro de quatro títulos conquistados pelos argentinos, era "um dos nossos"

Óscar Ruiz durante partida do Boca Juniors com Cristian Traverso ao fundo
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Em março deste ano, o ex-árbitro colombiano Óscar Ruiz, aposentado desde 2011, foi acusado por colegas de profissão do seu país de assédio sexual e chantagem. Segundo Harold Perilla, que chegou a prestar queixa criminal contra o ex-FIFA, Ruiz usava de seu prestígio para abusar de outros profissionais dizendo que quem quisesse chegar longe na arbitragem deveria ter relações sexuais com ele (leia).

Obs. Nos bastidores, comentários dão conta que um famoso ex-árbitro brasileiro, com currículo internacional, teria sido muito intimo do colombiano com quem teria dividido cobertor nas noites frias onde eram realizados os treinamentos da arbitragem.

Seis meses depois das denuncias dos supostos assédios, o colombiano volta a sofrer outro tipo de acusação. Desta vez a acusação vem de um ex-jogador importante e de uma das maiores equipes do futebol sul-americano. Em entrevista ao programa Futebol 910, da Radio La Red da Argentina, no dia 29 de agosto, Cristian Traverso, ex Boca Juniors, admitiu que o clube foi favorecido em algumas partidas e apontou Ruiz, árbitro que dirigiu quatro finais vencidas pelo Boca nos anos 2000, de "um dos nossos".

"A muito, muito de bastidor na Copa Libertadores. Você tem que ter um time capacitado para ganhar, porque o bastidor não vai definir o que acontece no campo de jogo, mas o extra campo sempre ajuda" – disse Traverso.

 Crédito: Radio La Red AM 910

O ex-jogador do Boca falou com Toti Pasman que ficou surpreso com a declaração sobre o árbitro colombiano

O ex-Boca Juniors, porém, afirmou que os jogadores não ficavam cientes do que acontecia nos bastidores.

"Tratávamos de treinar e nos concentrar no que tínhamos de fazer. E depois, por sorte, havia muitos árbitros que nos favoreciam".

Quando perguntado sobre o colombiano Oscar Ruiz, o ex-defensor respondeu, entre risos, que "Oscar era um dos nossos" (ouça o áudio).

O colombiano foi árbitro FIFA e considerado um dos melhores do mundo na década de 90 e inicio dos anos 2000 tendo atuado em três edições da Copa do Mundo. Segundo levantamento feito pelo jornal argentino Clarín, Oscar Ruiz comandou 10 jogos do Boca e o time de La Bombonera só perdeu uma vez. Dessas partidas, quatro foram finais em que o Boca esteve envolvido e, em todas elas, o time argentino foi campeão. Em 2003, Ruiz apitou a primeira partida da final da Libertadores com vitória da equipe argentina por 2 a 0 sobre o Santos, em La Bombonera. Em 2007, apitou a vitória por 2 a 0 do Boca contra o Grêmio no Olímpico que sacramentou o título dos argentinos. Na Recopa de 2006, apitou o jogo da volta, um empate em 2 a 2 com o São Paulo no Morumbi.

Ruiz foi ainda o árbitro da final do Mundial Interclubes de 1993 quando o Boca venceu o Real Madrid por 2 a 1 e o árbitro colombiano não marcou uma penalidade grotesca em favor da equipe espanhola cometida pelo também colombiano Chicho Serna.

Óscar Ruiz durante curso da CBF - Crédito: Rafael Ribeiro / CBF

Currículo

Advogado, prestes a completar 50 anos (01/11/1969), Óscar Julián Ruiz Acosta é fluente em espanhol, inglês e português. Começou a apitar profissionalmente em 1995 e no mesmo ano atuou em sua primeira partida internacional entre Paraguai e Venezuela.

Arbitrou as finais da Copa América de 1999; Copa Libertadores da América de 2002, 2003, 2007 e 2010; Copa Sul-Americana de 2007; Copa Merconorte de 1998 e Recopa Sul-Americana de 2006.

Em 29 de outubro de 2010, foi internado em uma clínica de Villavicencio, após passar mal e ser encontrado inconsciente em sua residência. Segundo informações das autoridades locais à época, ele teria tido contato com uma substância tóxica conhecida como escopolamina.

Copa do Mundo
Participou da Copa do Mundo FIFA de 2002 arbitrando três partidas: Coréia do Sul 2x0 Polônia - 1ª. fase, Turquia 3x0 China - 1ª. fase, Turquia 1x0 Senegal - quartas de final.

Na Copa de 2006 arbitrou apenas uma partida: Holanda 2x1 Costa do Marfim - 1ª. fase. Participou ainda da Copa do Mundo FIFA 2010.

Atualmente é instrutor técnico da FIFA e da palestras e treinamentos para a CBF e em diversos estados do país.

Já o ex-jogador Traverso chegou ao Boca em 1997 e ficou até 2002, antes de ter uma nova passagem entre 2004 e 2005. Foi campeão das Libertadores de 2000 e 2001 e do Intercontinental de 2000.

Casos suspeitos contra brasileiros

Vale lembrar, que o Boca já é recorrente, nesse tipo de suspeita. Basta lembrar do segundo jogo da final entre os argentinos e o Palmeiras, na Libertadores de 2000. A partida foi apitada pelo paraguaio Ubaldo Aquino, que não marcou um pênalti para os brasileiros, em La Bombonera.

Já na edição de 2013, outro paraguaio, Carlos Amarilla, anulou dois gols legítimos do Corinthians que enfrentava o Boca Juniors pelas oitavas de final, daquele ano e o jogo foi realizado no Pacaembu. Mais tarde, Amarilla confirmou ter ajudado o Boca naquela partida, a mando de dirigentes da AFA (Associação de Futebol Argentino).

O Apitonacional não conseguiu contatar Óscar Ruiz para que falasse sobre as acusações.

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